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Other Side of the World..

Other Side of the World..

Outono

por Cátia Bernardo, em 27.10.09

Não entendo as pessoas que não gostam do Outono!

Como é difícil não gostar do encanto desta estação. As folhas amareladas que tornam o mundo num tom tão mais sépia do que o usual, o conforto de vestir um casaco para aconchegar do novo frio, a melancolia de recordar o passado.

O Outono lembra-me isso mesmo, o passado.

É a estação mais pessoal de todas elas, onde o eu se encontra comigo. Juntos viajamos num mundo de tom laranja, ao som do vento e da chuva que cai. Que conforto, que encanto! O fumo que cheira a castanhas e onde a calma finalmente impera, abunda nas ruas cheias de imundice, nas ruas onde o silêncio é rei.

E que bom é o amor nesta altura, amor melancólico que cheira a felicidade, amor que esbanja regalo no seu seio e que acalenta com o seu doce beijo. É um começo secreto, íntimo e cheio de profundidade, onde o coração reina e presta serviço ao acaso, a um não sei o quê de místico e incompreensível ao espírito. É a estação do "quero-te", a estação do "vem comigo".

Não entendo as pessoas que não gostam do Outono…

É um infinito de boas sensações, um abismo atractivo e afável, como o harmonioso som de uma harpa que nos embala no corpo do ar. É o sonho roxo que todos ansiamos ter, que nos deleita e leva a um orgasmo de contentamento.

Definitivamente…eu não entendo as pessoas que não gostam do Outono…!

 

 

E se eu fosse perfeita?

por Cátia Bernardo, em 23.12.08

 

E se eu fosse perfeita?

Se estivesse sempre feliz, e nunca discutisse? Se te desse sempre a razão? Se nunca contrariasse ninguém e andasse sempre de cabeça erguida?

Se tivesse 1,70m de altura, e tivesse as medidas 86-60-86 tão desejadas, se andasse sempre de saltos altos com um passo firme e confiante? E se andasse sempre de mini-saia ou com um decote revelador, ou com roupas que favorecessem as minhas tão perfeitas medidas? Se passasse o dia em cabeleireiros e spas a tratar de mim? E se usasse batom vermelho?

Se eu fosse perfeita?

Se soubesse sempre o que dizer, quando dizer? Se eu fosse um ás a matemática, a física e a química, e ao mesmo tempo a português, filosofia e latim?

Se fosse rica e não precisasse de trabalhar? Se tivesse o tempo todo livre e o usasse só para ti? Se chegasses a casa e tivesses o jantar na mesa, as pantufas à porta e o meu desejo guardado à tua espera?

E se eu não tivesse qualquer tipo de problemas, se toda a gente me adorasse e me quisesse bem? Se dissesse que sim a tudo e sempre pronta a entregar-me? Se não tivesse ambições ou aspirações na vida de modo a ser o teu boneco de plástico, aí gostarias de mim? E se eu não tivesse fantasmas no armário, e fosse a menina perfeita sem personalidade? Se eu fosse uma bonequinha de Hollywood, aí gostarias de mim? Desejavas-me?

Mas eu não sou perfeita. Nem sempre estou feliz e gosto de defender-me quando tenho razão. Não me conformo e luto por aquilo que quero. Não tenho 1,70m, mas se tivesse não conseguiria encaixar-me tão bem naquele espacinho debaixo do teu braço. Não tenho as medidas desejadas nem ando sempre de saltos altos, não ando de mini-saia nem revelo as minhas curvas imperfeitas. Tenho um estilo prático e não tenho tempo nem paciência para me tornar numa Paris Hilton.

Nem sempre digo a coisa certa na altura certa, mas tenho personalidade. Tenho mau feitio e chateio-me com frequência, mas tenho ambição de uma vida boa e em tornar-me numa pessoa melhor.

Não sou um ás a matemática, nem a física e muito menos a química, mas garanto-te que compreendo o latim, adoro o português e tenho gosto pela filosofia.

De certo que não disponho do tempo todo para ti, e chegas a casa e não tens o jantar na mesa, não tens as pantufas à porta, mas terás sempre o meu desejo guardado à tua espera. É verdade que tenho problemas e fantasmas no armário, e que nem toda a gente me quer bem, mas o meu sentido de humor (imperfeito, bem sei) estará sempre disposto a pôr aquele sorriso na tua cara ou a despertar aquela gargalhada que tanto gosto de ouvir. Às vezes sou injusta e impulsiva, e bato o pé ou amuo, mas só tu não compreendes que é a carência que tenho de ti.

Se eu fosse perfeita era também enfadonha. Não era divertida nem pateta, não faria caretas nem te faria cócegas. Não alinharia naquelas brincadeiras. Faria tudo certo e não cometeria erros.  Era assim que querias que fosse?

Tu não és perfeito, e é por isso que te adoro.

Sou.Não sou.

por Cátia Bernardo, em 05.06.08

 

     Se não sou o que fui ontem, nem o que serei amanhã, quem sou eu hoje? O que é este corpo inerte neste tempo presente? Assombrado pelo passado, em expectativa pelo futuro, o que faz ele hoje? Condicionado por estranhas regras a que obedece como por obrigação, liberdade não há, é apenas um mito. Cada abrir de olhos é uma lágrima, cada consciência é um grito. Mundo onde é proibido falar, proibido ouvir, onde é condenado o sentir. Mundo de medo pela ridicularização, somos robots da existência, conformados com o conformismo, oprimidos pela voz imposta desde o nosso amanhecer.
    O que aconteceu à palavra? O que aconteceu à acção? O que aconteceu ao sentimento? O que aconteceu à revolução?
     Pequenos animais inconscientes, caminham egoístas como se tudo fosse seu, chamando meu a tudo o que for de valor material. Sobrevalorizam a palavra "Eu" em vez da palavra "Nós", olham sempre em frente nunca olhando para os lados.
     O que aconteceu às pessoas? O que aconteceu à humildade? O que aconteceu aos valores? O que aconteceu à Humanidade?
    Mundo onde se torna proibido o amar, o desejar, onde se torna ridículo o querer. O enganar, o mentir, o aliciar, o fingir, ah isso sim!, hoje é sinal de valentia. Pois para mim não passa de um acto de cobardia! 
    Já sei que corpo é este, neste tempo presente, é a voz da diferença, é a voz da revolta, que não obedece, que não tem alma de derrota! Corpo que sente e não tem vergonha de o desinibir, corpo que ama e não tem medo de o admitir. O que é viver sem emoção, o que é morrer sem recordação? É como poesia sem rima, como música sem ritmo, como sociedade sem cultura, como pintura sem brilho. Denominam-se de sociedade evoluída, mas em que sentido se tudo o que vejo é uma sociedade corrompida?
   Abram os olhos e vejam o sol lá fora em sinal de alegria, em sinal de liberdade. Soltem os sorrisos que vos ensinaram a reprimir, soltem as gargalhadas que vos incentivaram a desistir. Mas sobretudo, soltem as palavras que sempre vos ensinaram a coibir.

Palavras

por Cátia Bernardo, em 05.06.08

 

 

   A insónia impele-me a espiar o mundo exterior pela janela. Observo a doce melancolia do nevoeiro e medito... De que é feito o nevoeiro? É feito de palavras que vagueiam sem destino, como fantasmas que assombram no sossego da escuridão. É feito de palavras ditas em vão, que vagam as manhãs e as noites em busca da sua veridicidade e do seu fado.
    E a chuva, que que é feita ela? É feita de palavras lamentadas, concebidas para lacerar, para invocar as lágrimas que caem desde o céu.
    Escuto o silêncio, sinto-o a dominar-me. (mas o silêncio não existe) As palavras perseguem-nos, invadem os nossos sonhos rebelando-se, dando vida às nossas confidenciais quimeras, aos nossos íntimos desejos. (o silêncio é mentira) Elas remexem a nossa memória, redescobrem-se e materializam-se em forma de pensamento. Tudo é feito de palavras: sejam reais, falsas, infelizes e alegres; passageiras ou imortais, elas fazem parte da nossa efémera vida (elas matam o silêncio).
    Observando o que nos rodeia, podemos ver palavras perdidas que flutuam desde aquela primeira jura de amor entre dois corpos nus ou desde aquele suspiro de saudade que persiste em escapar todas as noites. Vagueiam durante séculos, não as ouves? Presta atenção. As palavras estão nos olhares, nos gestos, nos sorrisos discretos e nas lágrimas proibidas. Nós caminhamos sobre elas, e toda a vida se resume a isso: palavras cantadas, recitadas, inventadas ou representadas. 
    As palavras originam a guerra mas também o amor, elas criam alegria mas também criam a dor. E os poetas? Serão apenas uma lenda ou existirão de verdade? De que corpo são feitos? São pequenos pedaços feitos de palavras, são seus escravos, obedecendo-lhes incondicionalmente. São seus mensageiros que espalham magia e esplendor nas suas rimas repletas de sensações.
    E eu? Serei real? De que sou feita? Olho-me e vejo palavras em cada parte do meu corpo, contam a minha existência, mostram o que sou. Tenho-as na minha vida e no meu coração, tenho-as na mente e escritas na palma da mão. Possuo palavras ocultas guardadas como um tesouro, a apodrecerem. Quando as digo niguém as ouve, são mudas. Quero dizer-tas mas são restritas. Dizer-tas-ei quando passar o vento para que elas possam, como tantas outras, devanear até te abraçarem ou para sempre ficarem perdidas. Chegarão até ti numa manhã de nevoeiro.
Sim, quando presenciares nevoeiro recorda-te de mim e escuta o que o silêncio tem para te dizer.

Ontem. Hoje.

por Cátia Bernardo, em 31.10.07

   Ontem observei-te de perto. Só de perto dá para perceber a dimensão do quão majestoso és. O teu esplendor faz calar todas as vozes, até a do vento. És tão puro, tão cheio de segredos e mistérios que encantam, tens alma de pessoa, tens voz e tens coração. Deixas saudade, saudade essa que acorda as lágrimas outrora esquecidas, já secas. A tua serenidade é contagiante, é surpreendente como tens esse poder, és confidente, és conselheiro e és infinito.

   Ontem observei-te com atenção, a tua solidão conforta-me, és autónomo e não tens regras.

A tua beleza é intacta e secreta, as palavras que não dizes são calmas e ordeiras, semeiam a esperança em mim, no meu ser desfeito, nos pedaços que restam.

   Ontem senti-te e voltei a viver, relembrei o teu sabor, o quão suave és, acordas o sorriso dentro de mim, acordas a felicidade e as minhas memórias.

Tens um nome, as pessoas chamam-te Mar, mas no meu íntimo chamo-te de sonho. És sonho porque tens o poder de unir duas pessoas, de transmitir o amor que hoje já não existe. Espalhas magia.

   Ontem estive contigo e propuseste-me uma vida nova. Aceitei-a… e a partir desse dia comecei a sorrir.

Sem Título

por Cátia Bernardo, em 18.08.07

Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...

Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,

Não para te amar.

 

A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.

 

Dorme, dorme, dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.

 

                                                                       -Fernando Pessoa-

 

 

 

 

Se perguntares ao céu quem sou
Ele responder-te-á que sou nada.
Tudo um dia fui,
E nada um dia serei.

                                                                           -Cátia-

... II

por Cátia Bernardo, em 31.07.07

As paredes são húmidas e não há chão, caminhamos sobre a nossa vontade eterna. Não me vejo, só oiço a minha respiração, mas não sei se é minha ou se está mais alguém comigo. Sim, alguém me persegue porque já não tenho coração, já não respiro. Sussurram-me ao ouvido, é o vento que me acompanha, não fala mas eu oiço o que ele diz, não tem corpo mas eu sinto-o. Aqui não se dorme, nem se come, aqui não se vive. Tenho medo, caminho sobre o nada porque não tenho vontades, agarro-me às paredes mas elas engolem-me. Oiço gritos e risos, e depois oiço mais gritos. Gritos que arrepiam, gritos que cortam.

Sinto a paranóia a querer envolver-me, mas não deixo, luto para pensar nas coisas boas que me faziam sorrir, mas de repente não sei o significado dessa palavra. O que é sorrir? O que é? Pergunto em voz alta e faz-se silêncio, o vento pára de me perseguir, os gritos param de me atormentar. E então lembro-me, lembro-me do que é sorrir, do que é saltar, do que é sonhar. Mas só me consigo lembrar, lembranças que morrem no meu colo, que se despedaçam e caem mortas no chão que não existe.

Vejo uma porta, o que será, para onde dará? Tento alcançá-la mas entro em pânico, e então, sem que eu peça, ela abre-se. Vejo a minha sombra, ela chama-me para ver. Entro numa floresta a preto e branco porque aqui não há cores, e assisto a tudo aquilo que eu sonhei, estou dentro da minha mente na parte dos sonhos, no meu inconsciente. Toda a minha vida idealizada passa diante dos meus olhos, lembra-me aquilo que eu queria ser e que nunca consigo, aquilo que toco mas que não consigo agarrar. Sinto uma mão a afagar-me o ombro, olho e não vejo ninguém. Talvez seja o vento, penso, talvez seja ele. Ele que me embala a cada noite, que suspira ao meu ouvido até eu adormecer, que acaricia o meu rosto quando fecho os olhos.

Sinto medo porque não sei onde estou, não sei com quem estou, nem sei o que sou. Sinto-me perdida porque não sei para onde vou, não sei para onde fui, não sei onde me encontro e não sei onde me perco. Tropeço nos meus pensamentos obscuros, caio na realidade dura e adormeço. Para nunca mais acordar.

 

Estou a sonhar, e de repente já sei o que é sorrir. Não me acordem amanhã, não me acordem.

...

por Cátia Bernardo, em 29.07.07

As sombras sufocam-me, como se me sugassem o pouco ar que consigo respirar. Aproximo-me e vejo o abismo, a invocar-me, a puxar-me, tal como eu me lembrava que iria ser, tal como sonhara, tal como previra. As vozes não se calam, deitam-me abaixo, desesperam-me porque dizem a verdade, porque eu sei que é verdade, mas eu não quero acreditar nelas, quero empurrá-las para bem longe e ouvir o silêncio. Mas o silêncio ensurdece-me, o silêncio virou-se contra mim e já não me acalma, tornou-se meu inimigo. Porquê? A dor voltou a chamar-me de irmã ontem, relembrou que nada vale eu ausentar-me, que ela sempre estará lá para mim, à minha espera, por muito ou pouco tempo que seja. Eu já me tinha esquecido dela, nunca a aceitei como sendo da família, mas é...é...

Falta pouco para eu dar o passo e cair no abismo, esse lugar escuro que não quero ver, que não quero imaginar, que grito para que se vá embora, e ele ri-se porque sabe que eu estou a caminhar para lá. Não quero voltar, não quero ficar aprisionada outra vez, mergulhada num mar de amargura habitado por seres inexistentes, que só eu consigo ver e ouvir e tocar.

O tempo tenta estar do meu lado mas já nem ele consegue, ninguém consegue fazer nada, sou eu contra tudo, sou eu contra todos, sou eu sozinha na solidão, na doce solidão, eterna confidente, eterna amante. Consigo senti-los à minha volta, como se me quisessem empurrar, mas não podem, só eu posso dar o passo, e estou prestes a dá-lo. As mãos tremem, os pés tentam dar a volta, o coração pára de bater, e eu sinto frio, muito frio, sinto o abismo a crescer dentro de mim.  Sinto-me invisível, todos me olham mas ninguém me vê, todos me ouvem mas ninguém me escuta, todos me tocam mas ninguém me sente, todos ajudam mas ninguém faz nada.

A morte já me tinha avisado disto, já me tinha dado a carta e eu não fiz caso, deu-me um prazo e eu ignorei-o, disse que me iam assassinar… e agora sinto o sangue a escorrer. E o tempo continua a empurrar-me, e eu continuo a gritar, e as lágrimas começam a cair. Caem dentro do abismo, elas já lá estão, já sabem como é, já conhecem o seu sabor. Estou morta e prestes a morrer, assombro e sou assombrada.

De que vale lutar? De que vale esforçar? De que vale amar? O meu destino não é esse, é viver nas trevas, tal como sempre foi, sou filha delas, filha da escuridão que sonha com as estrelas. Sou a filha rebelde que não se conforma com o seu fado, com o seu caminho, com as regras que lhe impõem.  

Assim será, irei dar o passo e voltar para casa, essa casa escura e assombrada. Assim será…

 

 

Chegou a hora. Levanto o pé, fecho os olhos, profiro as palavras e deixo-me levar…

É como se..

por Cátia Bernardo, em 11.06.07

É como se a chuva tivesse parado,

Como se o vento estivesse cansado,

Como se o sol tivesse acordado após anos de preguiça,

Após meses de desespero.

 

É como se o silêncio invadisse o mundo,

Como se o mundo se tivesse rendido aos seus encantos,

Como se as rosas falassem,

Como se as estrelas cantassem,

Como se a lua sorrisse e amasse.

 

É como se o quente confortasse o frio,

Como se o completo preenchesse o vazio,

Como se o vermelho abraçasse o verde,

Como se este lhe desse esperança e segurança

Naquele mundo sombrio.

 

É como se o tempo fosse perdoado pela saudade,

Como se a confiança se aliasse à lealdade,

Como se sonho fosse sinónimo de realidade,

Como se o desejo fosse ainda novidade.

 

É como se o passado fosse incompreendido,

Como se o presente e futuro fizessem agora sentido

Como se a voz influenciasse a acção,

Como se a revolta resultasse em união.

 

O pânico transforma-se em calma,

A fé apodera-se da alma,

As palavras adormecem a mágoa

Com delicados suspiros

A noite inteira, sem exaustão.

 

É como se tudo isto multiplicado por cem

Fosse possível viver,

Dentro do corpo de alguém...

Sou, serei. Não fui.

por Cátia Bernardo, em 16.04.07

 

Sou o que serei
E não o que fui,
Pois o que fui passou
E o que serei o sou.

 

Sou a nota
De uma música esquecida,
A luz
De uma estrela apagada,

 

No mar
Sou uma gota perdida,
No céu
Uma nuvem cansada,

 

Na terra
Uma pedra caída,
Sou uma brisa
Que me leva até ao nada.

 

Sou isto e tudo mais
Serei isto porque o sou,
Não fui isto
Porque o que fui já se passou.

 

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